sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

No Fundo do Poço

Foto retirada do Google Imagens
Colaboração: Glória Figueiredo Costa


     Este ano, a temporada de futebol termina de forma trágica no Brasil. No fundo do poço. Brigas e mais brigas nos estádios mancharam um ano que tinha tudo para ser só de alegrias. Por que chegamos a esse ponto? Para responder, basta analisar a receita pra lá de explosiva do futebol brasileiro: marginais fantasiados de torcedores, autoridades incompetentes, clubes coniventes, imprensa apaziguadora, além de cartolas e atletas incentivadores. Junte tudo isso e o caos está instaurado.
            Vamos começar analisando um caso emblemático. Em fevereiro, durante o jogo de estreia do Corinthians na Libertadores, torcedores foram presos na Bolívia, acusados de matar um jovem bolivianos. No começo, a imprensa caiu de pau pela atitude insensata dos corintianos. Mas o tempo foi passando e como se tratava de uma das maiores torcidas do país, a mídia mudou o discurso e passou a pressionar as autoridades brasileiras a buscarem uma solução. Depois de muito “lero-lero” e “conversa pra boi dormir”, os torcedores foram soltos, retornaram ao Brasil como heróis. O saldo da história é: um morto, nenhum responsável e, consequentemente, ninguém punido. Para piorar, meses depois, alguns desses “heróis” foram flagrados em Brasília, brigando com a torcida do Vasco no encontro das duas equipes pelo brasileirão. 
            Por falar em torcida do Vasco, é a mesma que fechou o ano promovendo cenas de selvageria em Joinville com a torcida do Atlético-PR. O jogo foi em Santa Catariana justamente por conta de uma briga entre facções rubro negras no clássico contra o Coritiba, o que gerou punição ao clube. Brigas entre torcedores do mesmo clube foram a especialidade dos cruzeirenses esse ano. Aconteceram nos jogos contra o São Paulo, no Clássico contra o Atlético e no jogo contra o Bahia. Nesse último, inclusive, o clube foi obrigado a cancelar a festa de comemoração do título. Um absurdo! Torcedores do Goiás, assim como os mineiros e paranaenses, também brigaram entre si. Além disso, houve pancadaria entre torcidas no jogo Flamengo e São Paulo e nos clássicos entre Grêmio e Inter, São Paulo e Corinthians. Tudo isso, sem falar nos episódios da torcida do Palmeiras na série B. As torcidas não citadas aqui não devem se orgulhar, pois já deram mostra de sua selvageria em anos anteriores, é o caso das torcidas do Coritiba, Atlético, Santos e Botafogo.
            Essa lista de acontecimentos deixa claro que os marginais estão infiltrados em todas as torcidas do país. O problema é que as autoridades não tomam atitudes. Ninguém é punido, ou melhor, os clubes são punidos, pois tudo corre na vara desportiva, que só tem competência para punir as entidades. Todo mundo sabe quem são as pessoas envolvidas. A polícia prende num dia e a justiça solta no outro. Ai não dá outra, na próxima briga você vê as mesmas caras na TV. O governo tem que intervir de maneira firme e decisiva. Tem que radicalizar! Não há outra solução que não seja o fim de todas as torcidas organizadas em território nacional.
            O Ministério Público precisa tomar coragem e pedir o fim de todas as “Organizadas”. Os que defendem as torcidas vão argumentar que a maioria das torcidas são boas e envolvidas em projetos sociais. Mas se você acaba com uma que está infestada de marginais, com certeza eles vão se infiltrar em outras, mantendo o ciclo de violência, só que debaixo de novos abrigos. No mais, não existe projeto social que justifique uma vida. É preciso acabar com todas porque é um negócio lucrativo e tem muita gente que vive disso. Vive de ser torcedor. Nesse ponto, os clubes são culpados, pois financiam com ingressos e passagens esses bandidos. Todos os dirigentes negam essa prática, mas não acreditem nessas negações. Todos financiam as quadrilhas organizadas. Cortem esses investimentos e essas torcidas ficarão bem enfraquecidas.
            Outro argumento utilizado para defender a existência das “Organizadas”, está na sua suposta importância para o clube. Isso é outra mentira. A maioria dos grandes clubes do país são centenários; os que ainda não são, estão perto de se tornarem. As primeiras torcidas organizadas, como as que conhecemos hoje, surgiram no fim dos anos 60, ou seja, esses times passaram a maior parte de suas vidas sem torcidas organizadas e nenhum acabou por conta disso. Então é possível sim, viver sem elas. Cabe aos clubes, enfraquecê-las. Ao Ministério Público, pedir a extinção. Ao governo, melhorar os mecanismos de segurança e identificação dos torcedores. Ao congresso, reavaliar as leis de punição. E cabe, também, à sociedade, pressionar a justiça para que ela puna, exemplarmente, os infratores.
            Além de todas essas medidas, é preciso um trabalho de conscientização junto a dirigentes e atletas quanto a importância de suas figuras na manutenção da paz nos estádios. Não podemos mais aceitar jogadores e cartolas que passam a vida provocando instituições rivais. Esse comportamento acirra as divergências fora de campo e resultam em ânimos exaltados. É preciso deixar claro para os torcedores que, acabado o jogo, acaba a rivalidade, fazendo com que todos possam coexistir pacificamente, cada qual com suas paixões esportivas.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Calendário do Futebol Brasileiro

Imagem retirada do site: http://blogdojuliogomes.com.br
Colaboração: Glória Figueiredo Costa

          A grande polêmica do momento gira em torno do calendário do futebol brasileiro. Jogadores e treinadores estão se rebelando e exigindo uma mudança por parte da CBF. Como os atletas estão saindo do país cada vez mais cedo, a opção dos clubes é montar elencos recheados de jogadores com mais de 30 anos, os chamados veteranos. Só que esses atletas não estão suportando a maratona de jogos, consequentemente, as equipes estão sofrendo muito com isso.
            Várias propostas estão sendo levantadas para mudanças nesse calendário caótico da CBF. Alguns acham que a solução está em alinhar nossas datas de competição com as datas europeias. Assim, as competições começariam em agosto de um ano e terminariam em maio do ano seguinte. Essa mudança pode ser feita, mas só isso não vai resolver nada, é preciso lembrar que outros fatores interferem na montagem do calendário nacional.
            O primeiro problema a ser enfrentado, são as Organizações Globo. A empresa, detentora dos direitos de transmissão dos jogos, exige partidas todos os dias da semana para preencher a grade de programação de seus canais. Folga só na segunda-feira. Quarta, quinta, sábado e domingo são os dias que os grandes clubes do país têm que estar em campo. E nem vou falar da questão dos horários, os quais são uma vergonha à parte, impostos pela emissora. A TV precisa abrir mão de jogos em algumas datas.
            Outro problema a ser resolvido é o número de competições, algumas completamente falidas. Temos um número enorme de clubes no país, mas é preciso rever a distribuição dessas equipes nos campeonatos existentes. É uma atitude traumática, mas não há muita escolha. É necessário acabar com os campeonatos regionais ou, pelo menos, arrumar outro formato, em que não participem os grandes clubes.
            A data de inicial de cada temporada, na minha visão, não faz diferença. Muitos, como já disse, defendem o modelo europeu. Eu acho que podemos manter o nosso modelo. Pensando nisso, montei uma sugestão de calendário para mostrar que é possível manter nosso modelo, fazendo algumas alterações. Para tanto, usei o calendário 2014, ano de Copa do Mundo, evento que deixa o calendário mais apertado ainda.
            O calendário aqui é pensado para os clubes da primeira divisão e precisaria de um acordo com a Conmebol. Não haveria campeonatos regionais para os grandes clubes. A Libertadores e a Sul-Americana (16 datas) seriam disputadas simultaneamente, no primeiro semestre, e a Copa do Brasil (14 datas) no segundo semestre. O Campeonato Brasileiro (38 datas) seria disputado o ano todo.
            A Libertadores, com jogos apenas nas quartas, teria sua pré-fase nas datas de 22 e 29 de janeiro e a chave de grupos começaria no dia 5 de fevereiro. As finais seriam realizadas nos dias 21 e 28 de maio, sendo que a Sul-Americana seguiria as mesmas datas. Do dia 30 de maio ao dia 19 de julho não haveria competições, essas datas estariam reservadas para preparação e disputa da Copa do Mundo, pela Seleção Brasileira. Nesse primeiro semestre, teríamos três datas livres no meio de semana, quando seria possível agendar amistosos da Seleção.
            A Copa do Brasil, com jogos também só nas quartas, seria disputada por 64 equipes, começando no dia 23 de julho e terminando no dia 26 de novembro, deixando cinco datas de meio de semana livres, somando um total de oito datas livres durante o ano, importantíssimas para remarcação de jogos que, por ventura, não possam ser realizados na data planejada ou adequar uma ocasião excepcional. Por exemplo, se o Atlético for até a final do Mundial Interclubes, o jogo será realizado no dia 21 de dezembro, ou seja, a equipe só voltaria de férias no dia 21 de janeiro. Com essas datas disponíveis, tanto a CBF como a Conmebol poderiam adiar em duas rodadas a estreia do time no Brasileirão e na Libertadores, marcando esses primeiros jogos para datas livres.
            O Campeonato Brasileiro, com jogos apenas aos domingos, começaria no dia 2 de fevereiro e terminaria no dia 30 de novembro. Lembrando que seria paralisado no meio do ano, por conta da Copa do Mundo. Essa data poderia ser utilizada pelas equipes, para uma intertemporada ou uma excursão.  Nos anos que não houver competições oficiais da Fifa, como Copa América, Copa das Confederações e Copa do Mundo, essa parada no Brasileiro aconteceria de 15 de junho a 15 de julho. Período que coincide com a pré-temporada europeia.
Com essa paralisação, teríamos 37 datas aos domingos, durante todo o ano, ou seja, ficaria faltando uma data para completar o calendário. Existem duas opções para resolver isso: ou você termina o campeonato no dia 7 de dezembro, ou faz uma rodada no meio de semana, utilizando uma das oito datas livres. Quando não houver competições da Fifa no meio do ano, esse problema não vai existir pois teríamos mais dois domingos para o calendário, um a mais do que o necessário, o qual poderia ser usado como folga no domingo de carnaval.
              Jogos da série B seriam realizados aos sábados, seguindo o calendário da séria A. Os jogos das séries C e D, também nos fins de semana, sendo que a série D seria disputada no segundo semestre e composta pelos quatro clubes rebaixados da série C, mais 36 advindos dos campeonatos regionais disputados no primeiro semestre. Esses campeonatos regionais não contariam com nenhuma equipe participante das séries A, B e C. Não é tão difícil arrumar o calendário brasileiro. Basta boa vontade e coragem para peitar os mandatários dos direitos de transmissão.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A hora do “Plano B”

Colaboração: Glória Figueiredo Costa

        Todo ano é a mesma história no futebol brasileiro: os clubes começam sua preparação nos campeonatos regionais pensando em chegar ao fim do ano levantando a taça do Campeonato Brasileiro. Fechar o ano com “chave de ouro” para seus torcedores, essa é a meta. A maioria desses planos terminam em frustração, muitos, inclusive, bem antes do fim do ano. É o que poderia ter acontecido esse ano, se a CBF não tivesse estendido a Copa do Brasil, abrindo um “Plano B” para alguns clubes.
            Com a iminente conquista do Brasileirão pelo Cruzeiro, de forma bem antecipada, só restaria aos outros clubes lutar pelas vagas da Libertadores, lutar contra o rebaixamento ou começar um planejamento para 2014. Nada de títulos. A comemoração ficaria apenas para a torcida do Cruzeiro. Ou quase só para eles. Temos que lembrar da torcida do Palmeiras, que certamente vai poder comemorar a volta para a séria A com um título. Além, é claro, da torcida do Atlético, que está comemorando, desde o meio do ano, seu título mais importante, a Taça Libertadores da América, a qual, de quebra, lhe deu o direito de disputar o Mundial Interclubes em dezembro, o que pode render mais comemorações.
            Mas, como foi dito, esse ano outras torcidas ainda podem comemorar. E, pensando nisso, alguns clubes vão mudar completamente o foco. Com a quase impossibilidade de alguém alcançar o Cruzeiro no Brasileirão, a ordem agora deve ser partir em busca da Copa do Brasil. Existe também a opção da Copa Sul-Americana para algumas equipes.
            Na Copa do Brasil, Grêmio e Corinthians, que começaram o Brasileiro como candidatos ao título, vão brigar para ver quem segue com chances. Para o Grêmio, a tarefa é mais complicada. Priorizar a Copa do Brasil pode trazer problemas no Brasileirão, uma vez que a equipe ainda briga por vaga na Libertadores. Já para o Corinthians, é tudo ou nada. Única chance de título e caminho mais fácil para a competição sul-americana. No confronto Internacional e Atlético-PR, a situação é idêntica, o Atlético-PR está na situação do Grêmio e o Inter na do Timão.
            Nos outros confrontos, Goiás x Vasco e Botafogo x Flamengo, a coisa é um pouco diferente. Para os esmeraldinos, a conquista da Copa do Brasil seria um fato histórico, nem o clube, nem a região Centro-Oeste conquistaram título de tamanha importância. Vasco e Flamengo precisam priorizar o Brasileirão, pois as duas equipes correm risco de rebaixamento. Focar em outra competição seria correr o risco de terminar o ano rebaixados para a série B. Já para o Botafogo a escolha é difícil. O time é o segundo colocado no brasileirão, não parece ter forças para tentar o título, mas ficar com a uma vaga na Libertadores não é tão difícil. Por outro lado, é a equipe com melhores condições de levar a Copa do Brasil. Só não dá para tentar as duas coisas, não tem elenco pra isso. O risco de não levar nada seria grande.
            Pela Copa Sul-Americana, o São Paulo vai tentar apagar o péssimo ano defendendo seu título na competição. A tarefa é complicada, uma vez que o time tem que estar atento para não voltar ao Z-4 do Brasileirão. A situação pode ser aproveitada por Coritiba e Bahia . Para ambos, com poucas chances de cair e nenhuma chance de ser campeão no Brasileiro, investir na competição pode ser uma boa saída para terminar bem o ano.
            Ponte Preta e Sport também estão na competição, mas não devem ir longe. O time pernambucano sonha com a volta à série A do Brasileiro, por conta disso não deve brigar na competição continental. Já os paulistas, praticamente rebaixados para a série B, não têm time para vencer a competição. A Sul-Americana conta, ainda, com as equipes estrangeiras, algumas bem “osso duro”, como Vélez Sarsfield, Universidad de Chile, River Plate, Libertad e Universidad Católica. Não vai ser fácil para nenhum time brasileiro vencer esse ano.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Marcelo Oliveira: O Profissional.

Foto retirada do site: http://www.lancenet.com.br
Colaboração: Glória Figueiredo Costa

No começo de novembro do ano passado, o Cruzeiro era sacudido por uma avalanche de problemas. O time estava mal no Campeonato Brasileiro, com resultados muito abaixo do esperado pela torcida. O presidente, que tinha sua competência questionada pelos torcedores, alegava não ter dinheiro em caixa. Foi nesse ambiente que o treinador Celso Roth anunciou sua saída do clube, ao fim da competição.
Imediatamente surgiram especulações sobre quem poderia assumir o comando do time. Vanderlei Luxemburgo era o preferido pela torcida. Adilson Batista contava com o apoio de alguns conselheiros. E Renato Gaúcho corria por fora. Mas, na cabeça do presidente, Gilvan de Pinho Tavares, o nome era outro: Marcelo Oliveira. Quando seu nome surgiu como um possível substituto de Roth, a nação azul veio abaixo. A rejeição do técnico entre os torcedores ultrapassou 90%.
Com uma vaga da Libertadores conquistada pelo Grêmio, o nome de Luxemburgo ficou inviável. As negociações com Adilson Batista não evoluíram. E Renato Gaúcho tinha um salário muito alto para seu nível de experiência como treinador. Mesmo contrariando a torcida, a diretoria azul decidiu bancar Marcelo Oliveira.
A grande rejeição ao treinador era por conta de sua ligação passada com o arquirrival do celeste, o Atlético Mineiro. Injustificável o pensamento do torcedor. O profissionalismo demostrado por Marcelo Oliveira nas equipes que já havia treinado, o credenciavam, sim, a assumir o Cruzeiro e reestruturar o elenco. Mas o treinador foi além: montou um grupo quase imbatível para o Brasileirão.
Marcelo começou no futebol como jogador em 1969, dentro das categorias de base do Atlético. Em 72, tornou-se profissional pelas mãos de Telê Santana. Figurou no elenco da Seleção Brasileira entre 75 e 78. Em 1979, foi vendido para o Botafogo. No Rio, só ficou três meses, comprou seu passe e foi para o Nacional de Montevidéu. Voltou ao Atlético em 83. Passou pela Desportiva do Espírito Santo em 84. E encerrou a carreira de jogador no América-MG, em 85.
Depois de pendurar as chuteiras, o atual técnico do Cruzeiro virou comentarista esportivo. Em 2003, assumiu o posto de treinador nas categorias de base do Atlético e lá permaneceu por quatro anos. Nesse período, treinou como interino a equipe principal do clube em algumas ocasiões. Em 2007, assumiu o time principal do CRB de Alagoas. No ano seguinte, voltou ao Atlético e treinou o time principal de agosto a dezembro. Depois, passou pelo Ipatinga e pelo Paraná Clube antes de chegar ao Coritiba, onde começou a desenvolver seu potencial.
No clube paranaense, marcou seu nome no cenário nacional de treinadores. Mesmo com um elenco modesto, se comparado aos grandes clubes do eixo Rio-São Paulo, Marcelo conseguiu chegar duas vezes à final da Copa do Brasil. Além disso, foi bicampeão paranaense, sendo que o primeiro título, em 2011, foi de forma invicta. Entrou para o Guinness (Livro dos Recordes) com a maior sequência mundial de vitórias: 24.
No início de 2012, Marcelo foi considerado o melhor técnico do Brasil e o 14º do mundo nos 12 meses precedentes, pelo Institute of Football Coaching Statistics. Em setembro, o treinador foi demitido depois de uma série de maus resultados. Seus números, no entanto, são expressivos à frente do Coritiba: disputou 131 partidas, com 74 vitórias, 25 empates e 32 derrotas. Um aproveitamento de 62,8%. Antes de chegar ao Cruzeiro ainda teve uma rápida passagem pelo conturbado Vasco da Gama.
Marcelo é, sem dúvida, um dos melhores técnicos da nova geração. É conhecedor do futebol e admirador das categorias de base. Com um “tapa de luvas” em seus críticos, não está tomando conhecimento de seus adversários e segue firme em busca do seu primeiro título nacional. É verdade que no time celeste ele ainda não conseguiu ser campeão. Perdeu o Mineiro e foi eliminado, surpreendentemente, da Copa do Brasil. Mas isso não apaga o grande trabalho que vem fazendo à frente do clube. São 47 jogos, com 37 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Um impressionante aproveitamento de 82,2%.
           Muito difícil que o Cruzeiro não leve esse caneco, mas se acontecer um desastre, pode ter certeza de que não será por culpa do treinador. Esse, como se diz, colocou o time na “ponta dos cascos”. É o profissionalismo vencendo a rejeição, a desconfiança, a superstição e a rivalidade. 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Balanço do Primeiro Turno do Brasileirão 2013

Imagem retirada do site: http://www.vejanoticias.com.br
Colaboração: Glória Figueiredo Costa


            Com o fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, é possível fazer uma análise mais detalhada do que cada time ainda pode apresentar, diante do que foi feito até o momento. Para alguns, o cenário é um céu de brigadeiro, já para outros, o rascunho do inferno. Com a pontuação que ainda será disputada, muita coisa ainda pode mudar. No entanto, para muitos, essas mudanças são quase utópicas.
            Na parte de cima da tabela, o Cruzeiro não vê adversários por perto. A equipe tem passado por cima da maioria dos adversários. Já pode ser considerado o time com maiores chances de levantar a taça. Os celestes apresentam um excelente futebol, além de ter um elenco com peças de reposição à altura dos titulares.
            Logo atrás vem Botafogo, Grêmio e Atlético-PR. O primeiro perdeu muitos jogadores e demonstra que está perdendo o fôlego. Deve, no muito, brigar por uma vaga na Libertadores. Já o Grêmio, possui um elenco maior. Mesmo assim o time vive de altos e baixos e não passa a confiança de que vai incomodar o Cruzeiro. O Atlético-PR é, sem sombra de dúvida, a maior surpresa do campeonato: uma equipe com jogadores pouco conhecidos e que passou os primeiros meses do ano só treinando e disputando torneios amistosos. O campeonato estadual foi quase todo disputado com a equipe sub-23 - uma inovação estranha, no primeiro momento, mas que parece ter dado certo. O time tem surpreendido bastante, mas ainda deixa um ponto de interrogação no ar quanto a possibilidades de títulos ou até mesmo uma vaga na Libertadores.
            Corinthians e Internacional são equipes bem estruturadas, com força para baterem de frente com o Cruzeiro. Porém, o Timão sofre com as contusões de atletas e seguidas convocações de jogadores para seleções nacionais. O Inter também sofre com esses problemas, além de sofrer com seu treinador, que tem dificuldade para dar padrão de jogo à sua equipe. Diante desse cenário, os dois deixaram o time mineiro abrir 10 pontos de vantagem. Não é impossível, mas muito difícil tirar uma vantagem dessa em apernas um turno, sobretudo quando o adversário está sobrando no campeonato.
            Daí pra baixo, uma diferença de seis pontos separa 10 clubes. Embora alguns já tenham frequentado a parte de cima da tabela, como é o caso do Coritiba, Vitória e Bahia, a aspiração aqui é, somente, se distanciar da zona de rebaixamento. Coritiba, Goiás e Santos parecem mais tranquilos quanto a isso, pois o futebol apresentado não é o de quem corre riscos de cair. Já o Atlético-MG não vem mostrando um bom futebol, mas é pouco provável que caia, pelo contrário, é a equipe com maior chance de dar uma arrancada durante o returno. Não deve chegar na parte de cima da tabela, mas deve se afastar da zona vermelha rapidamente.
            Vasco, Criciúma, Vitória, Bahia e Flamengo precisam melhorar o futebol, ou torcer para que nenhum dos times na zona do rebaixamento melhore o desempenho, caso contrário, os riscos vão aumentar. A situação do Fluminense é delicada, perdeu muito jogadores - vendidos ou machucados - e os que permaneceram não estão rendendo nada. Fortíssimo candidato ao descenso. O rebaixamento do tricolor carioca seria um bom negócio, uma vez que eles pagariam uma dívida de Série B com o futebol brasileiro.
            Na parte indesejável da tabela, a Portuguesa é a que apresenta o melhor futebol, tem dado muito trabalho aos adversários e só a afirmação “tem coisa que só acontece com a Portuguesa” - como sofrer gols no último minuto e erros gritantes da arbitragem -, para justificar a Lusa no Z-4. O São Paulo é a surpresa negativa do campeonato: uma crise sem precedentes assola a equipe do Morumbi. Jogadores renomados, com passagens pela seleção, não conseguem render e a cada rodada o time afunda mais um pouco. Ainda é possível reverter o quadro, até por conta do bom elenco que o time possui, mas a reação tem que ser para “ontem”. O clube já está muito próximo do chamado “ponto irreversível”.

            Fechando a tabela, vem a Ponte Preta, equipe com elenco rachado e futebol pífio. Só um milagre pode salvar a macaca da queda para a Série B. O Náutico está virtualmente rebaixado. Para manter-se na elite do futebol, o time precisa, nesse returno, fazer uma campanha idêntica à do Botafogo, segundo colocado no primeiro turno. Missão praticamente impossível, até porque, o futebol apresentado pela equipe não o salvaria, nem se estivesse jogando a série B.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Hegemonia Mineira.


            O futebol mineiro vive um momento único no cenário nacional. Suas duas principais equipes, Atlético e Cruzeiro, têm encantado os amantes do esporte. O primeiro semestre foi comandado pelos alvinegros, que deram show na primeira fase da Libertadores e depois, nas fases de mata-mata, mesmo não mantendo o mesmo rendimento, passou pelos adversário e foi campeão da competição mais importante da América.
            Já o Cruzeiro, não tomou conhecimento dos seus adversários na Copa do Brasil, venceu todos os jogos até agora. Chegou as oitavas de final, como um forte candidato ao título. Claro que a competição vai ficar mais difícil, com a entrada dos clubes que disputaram a Libertadores. Mesmo assim, a força do Cruzeiro, sobre tudo dentro do Mineirão, credencia o time a brigar pela taça.
            O mando de campo tem feito muita diferença para os mineiros. O Atlético disputou 41 partidas no novo Independência, conseguindo 30 vitórias, 10 empates e apenas uma derrota. Foram 39 jogos de invencibilidade. Esse desempenho dentro de casa, rendeu ao clube três títulos, dois Mineiros e uma Libertadores. O novo Mineirão foi entregue esse ano. O Cruzeiro venceu 13 jogos seguidos e empatou o último. Não sabe o que é perder lá. Ainda não deu para levantar um caneco no estádio, mas o time segue líder do Brasileirão, mostrando que vai lutar também por essa competição.
            Em 2012, os dois times se enfrentaram duas vezes no Independência, pelo Brasileiro. Na primeira, o mandante foi o Cruzeiro e o jogo terminou 2x2. No jogo de volta, 3x2 para os alvinegros. Esse ano, o Cruzeiro recebeu o Atlético três vezes no Mineirão e venceu as três. Mas ainda assim, o título mineiro ficou com o adversário, que no único jogo no Independência, vence por 3x0 e garantiu a taça, mesmo perdendo o segundo jogo.
            Com o titulo da Libertadores, a liderança no Brasileirão e grande chance na Copa do Brasil, o futebol mineiro se destaca do resto do país. No eixo Rio-São Paulo, somente Corinthians e Botafogo mostraram condição de brigar com os mineiros, de igual pra igual. As equipes do Rio Grande do Sul ainda estão em formação e não empolgaram até o momento. Nos outros estados, nenhum time parece ter força para segurar Atlético e Cruzeiro. Por isso, esse ano pode se revelar, como o grande ano dos mineiros.

Destaque
A 14ª rodada tem como destaques as partidas: Botafogo(2º) x Internacional(6º), Cruzeiro(1º) x Grêmio(7º) e o jogo dos desesperados Criciúma (18º) x Náutico(20º).


Bola Fora
            A Fifa pisou na bola, ao fechar a janela de transferência internacional, antes da final da Libertadores, impossibilitando que o campeão, pudesse se reforçar para o Mundial no fim do ano.


Fique de Olho
            No Mundial de Atletismo, que está sendo disputado em Moscou, até o dia 18 de agosto. O Mundial está na sua 14ª edição, sendo que a primeira, aconteceu há exatos 30 anos, na Finlândia. Até o momento, o Brasil tem um péssimo desempenho na competição. O atletismo brasileiro, tem tudo para ser um fiasco, nas Olimpíadas de 2016.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Não sabendo que era impossível, foi lá e ganhou!

Foto retirada do site: http://escudosdomundointeiro.blogspot.com.br/2012/01/taca-libertadores-2012-grupos-e-tabela.html
Cololaboração: Glória Figueiredo Costa


A Conquista da América
          
           Não é fácil para um clube se destacar no futebol brasileiro, considerando que o principal campeonato sempre começa com, pelo menos, 12 candidatos ao título. Mas, entre os anos de 1976 e 2001, o Clube Atlético Mineiro conseguiu a façanha de estar entre os quatro primeiros colocados em 13 ocasiões. No entanto, o título que é bom, não veio. O clube permanecia com seu único título brasileiro, conquistado em 1971. É bem verdade que o time conquistou duas vezes a Copa Conmebol - competição internacional, precursora da atual Copa Sul-Americana. Vários motivos, os quais não serão discutidos nessa edição, fizeram os próprios atleticanos relegarem esses títulos ao esquecimento, mantendo o clube na sombra de uma única grande conquista.
            Como se não bastasse o “sempre chegar e nunca levar”, a partir do final dos anos 80, o Atlético Mineiro foi assolado por sucessivas administrações incompetentes e danosas, as quais levaram o clube para o atoleiro das dívidas e, consequentemente, para a falta de credibilidade. A partir de 2002, o time, acostumado a figurar no alto da tabela dos campeonatos brasileiros, começou a afundar rumando para as últimas posições. Já em 2004, a equipe lutou até o fim para fugir do rebaixamento da série B. Situação irreversível no ano seguinte. A queda para a série B do Campeonato Brasileiro parecia ter condenado o clube a “sumir”, gradativamente, do cenário nacional. Nesse momento, o time nada mais era do que um amontoado de jogadores que se dividiam entre “futuras promessas”, “desconhecidos à procura do Eldorado” e “ex-atletas em atividade”...
            O rápido retorno, já em 2006, à elite do futebol brasileiro, não melhorou muito o panorama e o clube seguiu lutando, ano após ano, contra um novo rebaixamento. Foi quando a administração do Atlético chegou às mãos de Alexandre Kalil, filho do ex-presidente do clube, Elias Kalil - homem que montara um elenco, no qual desfilaram jogadores que se tornaram ídolos: Reinaldo, Éder, Cerezo, Luizinho, Paulo Isidoro, João Leite, dentre outros. Em relação ao Kalil (filho), muita coisa pode ser questionada quanto à sua postura, porém, sua nova filosofia de trabalho mudou os rumos e a história do Clube Atlético Mineiro.
            Já no seu primeiro ano de mandato conseguiu montar um time competitivo, que brigou pelo título até a reta final, quando o elenco “abriu o bico” e nem vaga na Libertadores conquistou. Daí pra frente, mais dois anos brigando para o time não cair, sendo que no último, após se salvar na penúltima rodada, sofreu uma goleada histórica de 6x1 para seu arquirrival, o Cruzeiro. O Atlético perdeu a credibilidade até com o seu próprio torcedor. Durante nove anos de calvário, o clube foi colecionando goleadas e eliminações de competições para times muito inferiores ao seu, sendo que essa última goleada era a prova irrefutável de que seria impossível reerguer a instituição e sua imagem perante o futebol brasileiro.
            Com apenas três anos de mandato pela frente e um sonho no qual ninguém acreditava - o de dar ao Atlético um grande título, em memória de seu pai que tanto tentou, mas que sempre esbarrou em regulamentos, arbitragens entre outras coisas -  Kalil não se desesperou e seguiu com seu trabalho, mantendo a base do elenco, a comissão técnica e contratando, pontualmente, para as posições carentes do time. À medida que a equipe melhorava, as contratações passaram a ser mais ousadas e inesperadas, como as do goleiro Victor e o meia Ronaldinho Gaúcho. Essa última, contratação de alto risco pelo momento em que o atleta vivia.
            E o que era impossível -  reerguer um clube, dando-lhe uma grande conquista em tão pouco tempo - começou a parecer possível...Todos começaram a acreditar no título do Brasileirão de 2012, o qual acabou não acontecendo, mais uma vez. Porém, o segundo lugar colocou o Atlético na Copa Libertadores, maior competição de clubes do continente americano. Impossível imaginar um clube, que não disputava o torneio há 13 anos, vencê-la, de cara,  no seu retorno. Novas contratações para reforçar o elenco, entre elas a “cereja” Tardelli, colocaram o time como o melhor das Américas, não só pelo resultado obtido na primeira fase da competição, mas também para os analistas de futebol. E a conquista impossível virou certeza!
            Só que essa certeza virou dúvida na fase do mata-mata. E a dúvida virou insegurança. E a insegurança virou crença para um só, no último minuto. Ele, a improvável contratação, Victor, acreditou que em suas mãos o sonho seria mantido vivo. Era impossível sobreviver à competição com um gol salvador do contestado Guilherme. Era impossível sobreviver à competição, aos 40 minutos do segundo tempo, com um gol de zagueiro. Mas o impossível foi acontecendo e Victor fez o impossível sonho do Kalil virar realidade para a torcida. Era impossível que o zagueiro e capitão, Réver, culpado por muitos nos 6x1, levantasse a taça da Libertadores  pelo Atlético.

            Um título inimaginável, sobretudo, em dezembro de 2011. E por falar em dezembro: é possível, que algum clube possa bater o excepcional time do Bayer de Munique no Mundial Interclubes? Não, definitivamente, não é possível. A não ser que se tenham homens com sonhos e que acreditem que o impossível pode acontecer...