sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

No Fundo do Poço

Foto retirada do Google Imagens
Colaboração: Glória Figueiredo Costa


     Este ano, a temporada de futebol termina de forma trágica no Brasil. No fundo do poço. Brigas e mais brigas nos estádios mancharam um ano que tinha tudo para ser só de alegrias. Por que chegamos a esse ponto? Para responder, basta analisar a receita pra lá de explosiva do futebol brasileiro: marginais fantasiados de torcedores, autoridades incompetentes, clubes coniventes, imprensa apaziguadora, além de cartolas e atletas incentivadores. Junte tudo isso e o caos está instaurado.
            Vamos começar analisando um caso emblemático. Em fevereiro, durante o jogo de estreia do Corinthians na Libertadores, torcedores foram presos na Bolívia, acusados de matar um jovem bolivianos. No começo, a imprensa caiu de pau pela atitude insensata dos corintianos. Mas o tempo foi passando e como se tratava de uma das maiores torcidas do país, a mídia mudou o discurso e passou a pressionar as autoridades brasileiras a buscarem uma solução. Depois de muito “lero-lero” e “conversa pra boi dormir”, os torcedores foram soltos, retornaram ao Brasil como heróis. O saldo da história é: um morto, nenhum responsável e, consequentemente, ninguém punido. Para piorar, meses depois, alguns desses “heróis” foram flagrados em Brasília, brigando com a torcida do Vasco no encontro das duas equipes pelo brasileirão. 
            Por falar em torcida do Vasco, é a mesma que fechou o ano promovendo cenas de selvageria em Joinville com a torcida do Atlético-PR. O jogo foi em Santa Catariana justamente por conta de uma briga entre facções rubro negras no clássico contra o Coritiba, o que gerou punição ao clube. Brigas entre torcedores do mesmo clube foram a especialidade dos cruzeirenses esse ano. Aconteceram nos jogos contra o São Paulo, no Clássico contra o Atlético e no jogo contra o Bahia. Nesse último, inclusive, o clube foi obrigado a cancelar a festa de comemoração do título. Um absurdo! Torcedores do Goiás, assim como os mineiros e paranaenses, também brigaram entre si. Além disso, houve pancadaria entre torcidas no jogo Flamengo e São Paulo e nos clássicos entre Grêmio e Inter, São Paulo e Corinthians. Tudo isso, sem falar nos episódios da torcida do Palmeiras na série B. As torcidas não citadas aqui não devem se orgulhar, pois já deram mostra de sua selvageria em anos anteriores, é o caso das torcidas do Coritiba, Atlético, Santos e Botafogo.
            Essa lista de acontecimentos deixa claro que os marginais estão infiltrados em todas as torcidas do país. O problema é que as autoridades não tomam atitudes. Ninguém é punido, ou melhor, os clubes são punidos, pois tudo corre na vara desportiva, que só tem competência para punir as entidades. Todo mundo sabe quem são as pessoas envolvidas. A polícia prende num dia e a justiça solta no outro. Ai não dá outra, na próxima briga você vê as mesmas caras na TV. O governo tem que intervir de maneira firme e decisiva. Tem que radicalizar! Não há outra solução que não seja o fim de todas as torcidas organizadas em território nacional.
            O Ministério Público precisa tomar coragem e pedir o fim de todas as “Organizadas”. Os que defendem as torcidas vão argumentar que a maioria das torcidas são boas e envolvidas em projetos sociais. Mas se você acaba com uma que está infestada de marginais, com certeza eles vão se infiltrar em outras, mantendo o ciclo de violência, só que debaixo de novos abrigos. No mais, não existe projeto social que justifique uma vida. É preciso acabar com todas porque é um negócio lucrativo e tem muita gente que vive disso. Vive de ser torcedor. Nesse ponto, os clubes são culpados, pois financiam com ingressos e passagens esses bandidos. Todos os dirigentes negam essa prática, mas não acreditem nessas negações. Todos financiam as quadrilhas organizadas. Cortem esses investimentos e essas torcidas ficarão bem enfraquecidas.
            Outro argumento utilizado para defender a existência das “Organizadas”, está na sua suposta importância para o clube. Isso é outra mentira. A maioria dos grandes clubes do país são centenários; os que ainda não são, estão perto de se tornarem. As primeiras torcidas organizadas, como as que conhecemos hoje, surgiram no fim dos anos 60, ou seja, esses times passaram a maior parte de suas vidas sem torcidas organizadas e nenhum acabou por conta disso. Então é possível sim, viver sem elas. Cabe aos clubes, enfraquecê-las. Ao Ministério Público, pedir a extinção. Ao governo, melhorar os mecanismos de segurança e identificação dos torcedores. Ao congresso, reavaliar as leis de punição. E cabe, também, à sociedade, pressionar a justiça para que ela puna, exemplarmente, os infratores.
            Além de todas essas medidas, é preciso um trabalho de conscientização junto a dirigentes e atletas quanto a importância de suas figuras na manutenção da paz nos estádios. Não podemos mais aceitar jogadores e cartolas que passam a vida provocando instituições rivais. Esse comportamento acirra as divergências fora de campo e resultam em ânimos exaltados. É preciso deixar claro para os torcedores que, acabado o jogo, acaba a rivalidade, fazendo com que todos possam coexistir pacificamente, cada qual com suas paixões esportivas.

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